domingo, 15 de janeiro de 2017

MULHER


Mulher que ousas!

Vestes o teu querer,
perfumas-te na segurança,
em caminhar solto
de cabelo penteado
em tuas vontades

És-me inspiração,
ideal sugestivo,
motivo no querer
ser reflexo de ti,
ou,
ainda mais,
aspirar ao desapego
íntimo 
da liberdade.

Mulher sem franquia!

És na ausência de
supostas permissões,
isentas-te de outros
em desprendimentos
orlados de pérolas.

Como eu o quero ser!



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

impressões musicais

´
São 
     Lembranças,
vestígios inscritos
em minh' alma.
    Sensações,
traços tatuadas
em minha pele,
     Ecos,
melodias pautadas
em minha medula.

É
a música da tua impressão
que me faz dançar
neste  rodopio lento
de te amar com som.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ensaio para S


Engarrafei aquele amor de outrora,
os beijos roubados
e outros tantos por dar.

Foram oceanos de ti,
trazidos em marés sem gaivotas,
de horizontes rasgados
com lâminas de inocência.

Guardei-te em lágrimas
salgadas como
embargos enfrascados
nas inquietações
do meu (nosso) querer.

Selei o teu corpo no meu,
a humidade da tua pele na minha boca
em eternidade fechada a sete chaves
de acesso restrito.

Fui flor colhida,
seiva derramada no viço
desse amor de outrora.

Tapei ousadias,
atrevimentos e partes de mim,
restando-me no todo
sem ti.


domingo, 8 de janeiro de 2017

encarcerada



Erguem-se paredes,
fecham-se jardins,
esgotam-se ares
na masmorra de me ser.

Soltam-se cheiros a bafio,
passados trancados,
entre quatro paredes
onde a respiração
se dificulta.

Sei duma nesga,
pequena janela
do lado de fora
onde o ar é puro
e o perfume das flores
me fazem sonhar.

Quero rasgar 
esse pequeno nada,
esventrar a brecha
com unhas,
dentes,
e tudo o que me restar.

Viro-me do avesso,
procuro forças
em busca desse lado de  fora,
porque,
por aqui,
tudo é escuro,
tudo é fechado,
em asfixias
onde perco a consciência,
a vontade de me ser.

Fechadas portas,
acessos
e travessias,
há que transcender 
a ausência de luz,
tem de ser . . .


sábado, 7 de janeiro de 2017

dança com flores


Oferece-me flores,
brancas,
harmonia perfumada
enlaçada
nas tuas mãos.

Simples,
como meus balanceios
desassossegados,
seguros em teu corpo.

Oferece-me flores,
belas,
como a música
entoada ao ritmo  
da nossa private dance.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

proibido



Não quero ter juízo,
razão
ou tino.

Permito-me ceder
ao corpo,
animal que mora em mim,
como instinto fatal.

Tento-me 
em pensamentos,
desvarios
e sonhos alucinados.

Livre de racionalidades
sombrias,
busca a luz
da tentação
simples dos meus sentidos,
pele e sangue na ferida
do sempre proibido.


domingo, 1 de janeiro de 2017

jardim meu


Em cada instante de mim
vou pisando trilho 
sem marca,
fazendo caminho
por entre mundos
desconhecidos.

Tem curvas,
pedras
e a marca de meus pés.

Tem o meu nome a história
pavimentada em chão,
dobrado
uma e outra vez
em inquietações solitárias,
traçado
na passada do desejo,
ganhando forma
o jardim meu.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

com fome e sede



É rosa o teu desejo
em que latejo 
com pequenas mãos
deslizando 
em veludos teus,
maciezas tatuadas
no apetite
de me aconteceres.

É a improbabilidade
da ânsia
que me aporta
por mares e oceanos
revoltos
na sede de te amar.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Entardeço



Entardeço 
na areia
beijada 
por marés incontáveis,
como repetição de ti,
sempre desconhecida,
renovada,
em cada lua,
pequenina,
por vezes.

Enraízo 
por entre grãos,
pequenos nadas 
que se agigantam 
em tudo,
da mão cheia
às dunas sem eco.

É a minha praia,
o meu raio de sol 
último
a chegar primeiro
no poente lindo
em que te transformas
quando entardeço.


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

amo-te


amo-te 
com a ternura 
do olhar,
o veludo do desejo,
o nó da pele
e as sobras
de entranhas 
outrora vivas.

amo-te
com tempo,
soltando-me
e perdendo-me.

amo-te
porque
 nada mais resta, 
nem eu
ou
o meu amor.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

histórias


Desenrola-se a narrativa
como pergaminho antigo,
enrolado sob pedaço de cordel,
atada no fio do tempo.




Sou uma vida
de começos vários,
recomeços ainda mais
sem me faltarem inquietações,
dúvidas e falta de chão.

Falto-me a mim,
meu maior medo,
sobro-me em aparas de arrependimentos,
escorro-me no não
quando me apetece sim.

Oh! História da minha vida!
Vem contar-ma outra vez!



terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Não !


Não!
Não quero ser grito sem eco,
vela sem mastro,
flor sem perfume.

Não!
Não quero ser preço sem valor,
laço sem presente
dor sem sentido.

Não!
Não quero ser estrela sem luz,
nuvem sem vento,
pérola sem ostra.

Não!
Não quero ser confusão sem clareza,
outono sem primavera,
poesia sem vida.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

vagarosas pressas



Há vagar
 no teu jeito,
em olhar estendido
para lá do visível.

São vagarosas 
as tuas pressas
no encontro
com minhas 
impaciências demoradas
ou velozes pausas.

Há pressas
no meu jeito,
em vontades à solta.
para lá do razoável.

São tardias horas
aceleradas na sofreguidão
do aperto do tempo,
pois 
as pressas são muito vagarosas...
(pelo menos para mim)

Pérola

sábado, 10 de dezembro de 2016

poeta-me


Poeta-me
como rio na foz
por entre fusões 
de águas desiguais.

Poeta-te
bem dentro de mim
por onde os versos
fluem em vagas de prazer
e as rimas se despem.

Poeta-me
como se fosse flor
em jardim selvagem,
rústica prosa com sonho
de ser poema.
Pérola



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

labirinto



Entro por essa porta
sem bater,
avisar 
ou me fazer ouvir.

Na desordem da quietude,
percorro teus corredores,
aventuro-me nas tuas salas,
segredo-me em teu roupeiro.

Abeiro-me das tuas janelas,
colho os teus horizontes
e,
sem saber,
faço morada em ti,
perco-me nos teus labirintos
ao me achar em colo teu.



quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

... deixo-te ...



Deixo-te ser horizonte,
céu de constelações,
voo sem asas.
 em infinitudes minhas.

Deixo-te em guerra,
batalha íntima,
coração solto,
em amores meus.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

poesia na vida


Repito-te na maré cheia,
quero-te mais na vazia,
sou assim,
resistente na persistência
de voltar,
mudar,
e não abdicar de ti.

Repito-te na desfolha,
atalho-te mais na floração,
sou assim,
clima sem estação,
resposta sem pergunta,
em pequenos nadas,
no tudo despejado.


Quando tu me existes
vejo poesia na vida.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

beijo



quero um beijo
eternizado
de sabor a musgo
húmido
em tronco vivo
desapressado
segregado em tua boca
desejado
suspenso na suavidade
vagoroso 
de crescimento cristalizado
aqui
agora

quero um beijo
do teu corpo
com textura
de tua boca
para sempre
em mim

domingo, 20 de novembro de 2016

já agora, chá !



Chove no meu chá
a lágrima passada,
íntima,
confidente de sempre.

Chove no meu chá
o sorriso por nascer
auspicioso,
esperança de amanhã.

Chove no meu chá
a impaciência presente,
desafiadora,
prometedora de aqui,
já agora.


terça-feira, 15 de novembro de 2016

sem (a) razão


Tenho sementes em minhas mãos,
amor para plantar,
desejos que me sobram
entre dedos em busca de chão.

Tenho frutos em mim,
ternura para doar,
vontades que me excedem
entre peles em busca de corpo.

Tenho paixão em espera,
chama para atear,
querenças que me transcedem
entre insanidades em busca de verdade.

Tenho coração cor de rosa 
multiplicado em terra sem razão.



domingo, 6 de novembro de 2016


Há uma luz por acender,
um fogo a atear,
um desejo por saciar,
um beijo por provar,
um sonho a concretizar,
uma mão a dar.

Há novo
em cada segundo,
começo
e recomeço,
no êxtase do desafio,
nas cinzas por acontecer.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

The World

Tanta diferença,
tanta cor, 
tanto mundo!


Sou,
apenas,
mais um ponto,
uma pincelada 
por escorrer,
das mãos
de um pintor 
por nascer.

Sou vida
sem ser nada,
o todo
em partícula ínfima.

Sou desigualdade
em terra fértil
de uniformidades
suprimidas
no grito do ser,
de eco mudo.

Sou diferença,
sou cor,
sou (o) mundo !

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

por entre dedos


Sei de cor
cada linha de tua mão,
o perfume do teu toque,
a temperatura da tua pele,
a humidade da maresia
que se solta 
por entre dedos.

De olhos fechados
percorro cada curva,
rumo sem norte,
em estrada de 'nós'
trazidos na maré,
por entre dedos.



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

floral

Brotam flores
do teclado
onde te escrevo.

Chove lá  fora,
primavera-se aqui.

Não sei que te diga,
as palavras soltam perfume,
as pétalas cobrem-me o olhar.

É tudo floral
na germinação da Web.

sábado, 22 de outubro de 2016

de ti


Desdobras o teu olhar
em vincos doces,
como se estendesses toalha
em preparação de banquete.

Dasatas tuas mãos
em nós mansos,
como se servisses doçura
em mesa de sobremesas.

Dasabotoas o teu corpo
em prazer insinuado,
como se te oferecesses
em época de natal.

Desalinhas teu cabelo
em loucura sem espera,
como se desorganizasses
a cama onde me deito.

Desagregas o meu ser
em fusão plena,
como se quisesses
suspender-me em ti.